OCOR com Fagus


imprecindível o uso de fones de ouvido!?
"Queremos o silêncio que insiste que berremos nossas escutas"
Atravessamos a oca com a sensação de que o mesmo movimento que refez a acústica pau-a-pique no baldaquino modernista houvera de implodir o samba no seio de sua estrutura ausente, ritmosmose legada a uma caixa de fósforos que não serão acesos por ausência de fricção. O Sol se punha no dia 05 de Agosto de 2008 quando já não o víamos, mas o ouvíamos, no cerne do museu à fila para o cubo anecóico. Não tenho nada a traduzir e estou criando.
“Vocês têm um minuto” Disse a psicopompa dos corpos enfileirados para o salto no vazio... Com o sub-bufo da dupla porta cerrando o ar caiu. Regência da acusfera, subjetividade suspensa sobre o silêncio. A diletância atirando os corpos de volta às c’almas como coleção de empiremas, partituras de mantras, série tácita dos aurais, fractais harmônicos dos limites n’aguçadez aguda e grave gravidade. Despressurizados os tímpanos, a mandíbula mastiga os nervos da fronte que fazem torcer todos os desenhos dos tendões, as linhas finas se quebram no halo da auréola, reetabelecendo pela implosão a densidade da escuta à sala. Às retinas e às unhas vão as proteínas do açaí. De onde os ventos que movem a copa dos cabelos? Por onde os ossos obedecem os músculos e estes à carne? Como mantivemos tudo a pulsar até hoje? Pela língua?!
De volta à fila percebemos que o gravador zoom ligado durante todo o procedimento só capturara um som, o de seu próprio corpo. Doze rotações por minuto de seu processador que demora 4’33” para carregar o sistema operacional. A idéia de uma composição eletroacústica esbarra em última instância no campo de escuta da própria eletricidade, que jamais silencia. As agulhas do microfone vibram fazendo tremer o aparelho que o contêm e o organismo que o segura a não mais que metro do chão. Como em nós o nerval do estômago reverbera todo o diafragma, nele os limites da placa gestam um biorritmo de silíncio e solda em frenesi mercurial. We’re not the robots! Só engrena gens. Três goles de água de beber, “Vocês têm um minuto?” e compreendo o valor do hábito feito vício... O burburinho externo invade como rumor, a câmara se reduz a útero e a ilusão tácita reverte-se. Já não nos esforçamos para ouvir algo no vão, mas em calar a própria escuta. Ensaio de sondagem, os corpos dançam as articulações dos sons sob os sons(hipoaudio). Escuta do improviso que somos quando temos de ser-nos, composição dos afetos compositores da regência, performance sem obra e intérprete sem musa.
Vocês: um minuto. Hoje quando o Sol nascia, nos reunimos e passamos o som das analogias ao forma ato di-gital de alta qualidade(aiff96Khz) para o computador de Daniel onde aumentamos o volume das três faixas o máximo possível(de maneira linear) e os pusemos lado a lado no falante direito. Depois os enlerdamos em 333% usando um logaritmo Fourier de alta velocidade em similutede para sobrepôr(no volume original) ao falante esquerdo. A composição eletroacústica fala destas conversões analógico-digitais dialéticas (in patho-logic) sobre a captação do corpo ensimesmado dum gravador qualquer como se pudessemos jurar que as palavras nos ouvissem. O meio não é o sujeito sonoro, mas está sujeito ao som sendo sua estratificação última após a breve passagem pela matéria nos corpos. Exercitamos o devir do foco de escuta através da remixagem das faixas de equalização em dois altermovimentos, si e o outro... Ali onde o som implode em ruído e do vácuo faz nascer o ventinho que atormenta Gilberto. A música enquanto retórica de sons e silêncios põe a musicologia no âmbito de uma gramatologia das durações, e a filosonia como pressuposto básico de uma sonística numa vivência reflexiva das intensidades sonoras por seus próprios métodos. Nova noise, para ouvir o furor elétrico da acústica seria necessário saber-se, com e no outro, em contínuo ocor.
Ou como quando Fagundes quis explicar pra dançarina Julia(sua noiva) e pro filósofo Guilherme do Vale sobre o que passamos, preferiu contar que quando a casa de seu avô queimou e este foi perguntado o que guardou do ocorrido sua única resposta: “O fogo”.
"Que não seja eterno porto que é chama, mas enfim nito em quanto lhures"

2 comentários:

A MANIFESTAÇÃO DO NADA disse...

O
ECO
NO
OCO
DO
O

f? ribeiro! disse...

THE AND IS EAR
WE ARE HEAR