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Mudamos de endereço. We've changed. Filosonias, fruidos, auricultura...


Descrição
Aura de uma escuta através dos ruídos. De composição eletrônica digital e sonorizações esquizo acústicas. Silêncios musicais e corpos acústicos. Aura of a listening througout noises. The composition digital - electronics and schizo acoustics sonorizations. Musical silences and acoustic bodies.

Idéias Perigosas

Meditação Sobre um Abraço Mundial




gravação da casa esvaziada na tarde de 31.01.2009




órbita órfica para o dispositivo experiência

Radiodance Opus.1:"Y do B?"

Radiodance Opus.01:"Y Do B?" parte da voz em si, da presença do verbo e da dança dos campos eletromagnéticos para compor um programa corporal de flexão sinestésica dos limites do corpo, suas escutas e seus gestos. Na inversão metafísica dos corpos (body=ydob), a representação dos choques da fisicalidade que gestam os sons, surge uma questão simples: por que insistimos na feitura do ser? Por que ainda acreditamos na atuação artística mesmo quando esta já não possui nenhuma potência de atualização do mundo? Pede-se ao ouvinte que preste máxima atenção ao seu corpo durante a audição e dance.

Vozes auditas e inauditas:
Veridiana Zurita, Julia Rocha, Daniel Fagundes, Daniela Dini, Gabriel Kolyniak, Guilherme do Vale, Chico Science, Frank Zappa, Key Sawao, Ricardo Iazzetta, Vivian Caccuri, Katherine Strandberg, entre outras.

A Corda Quetzacoatl

Uma instalação interventiva para uma poética-ecológica menor.

(...) descer um pouco mais alto como fazem as corujas.

PARA a Transformação do espaço
& preparação do INDIVÍDUO COMO corpo público

                Uma passagem. É a passagem quem (em(caminha... Na passagem, todos caminham Pode ser por um túnel, por uma caverna, um esôfago, uma traquéia cada qual um caminho, cada um uma passagem,ninguém escapa Todos por seus caminhos. Obscuridão, transpassagem só revelada ao vê-la oculta –

A imersão do público num espaço de transição psico-física, da esfera cotidiana para o rito do espetáculo, da heteronomia das referências objetais para iniciar um “processo” de captação/atenção. A criação de um programa-e-squizo (as geografias de passagem, as medidas infinitas dos tópos, o bicho-geográfico, atingir o nervo rizomático) – meditação para a contemplação ativa, impermanência
(...)
No final, ao cessar da corda,
nós, o público,
entramos no teatro.

Sem ligação alguma, enquanto multidão outra vez

DESCRIÇÃO TÉCNICA DA INSTALAÇÃO & DO PROCESSO DE MONTAGEM

  • Quetzalcoatl:Uma passagem no saguão de entrada do anfiteatro do Sesc Pompéia que ocupe sua lateral direita, oposta a entrada dos banheiros, onde se cria um espaço de imersão na escuridão.A da estrutura de passagem será composta por lona, na extensão de XX metros no comprimento do saguão do anfiteatro, coberta por tecidos e pinturas a serem estipuladas e executadas pelos artistas.Plantas em geral (vasos de plantas, artificiais e naturais) dispostas ao longo da . Haverá a mesma disposição destas plantas no interior da passagem.O chão é composto por materiais escolhidos pelos artistas segundo o critério sonoro e olfativo dos mesmos, na criação de uma textura sinestésica do ambiente para potencializar a experiência da construção de uma percepção e uma memória por vibrações complexas do espaço físico e psicológico do passante.
  • A Corda:Se inicia na entrada do SESC, descendo a rampa principal em direção ao anfiteatro. Esta, por sua vez, adentra o espaço da obra até o seu final.Esta corda será feita por uma grande variedade de objetos, tais como: roupas usadas e retalhos de tecidos, brinquedos, livros, fios variados, sucatas, panelas, objetos pessoais, correntes, plantas artificiais, sacos de lixo vazio, sacos de compras entre outros badulaques de nosso fabuloso cotidiano.
  • O Som:Dois monitores de referência serão dispostos, um na entrada da instalação e outro no final dela, ambos voltados para dentro da passagem.Quatro monitores de referência serão dispostos no meio da passagem, sendo dois voltados para a entrada e os outros dois voltados para a saída.Um microfone será instalado no centro da passagem, suspenso acima da cabeça dos passantes, pelo qual se captará os ruídos ambientes. Estes sons serão reproduzidos pelos monitores de referência, levemente alterados por equipamentos eletroacústicos.Previamente, criar-se-á trilhas de escuta sob(re) platôs sonoros, onde se vislumbrará paisagens musicais e a ilusão contínua de silêncios. Estas gravações da cidade, de corpos, de túneis, de caminhadas, de objetos agindo no universo. Os platôs ou ilhas sonoras, serão tocadas ao acaso durante o ocaso da instalação, gerando um ruído passageiro.Continuidade de rupturas: silêncios, gravações prévias e sons produzidos durante a caminhada, formarão o contexto rítmico-afetivo da passagem. A dança dos timbres nômades pelos tempos e pelo espaço dos corpos, melodia dos elementos.

Cassandra

opereta sobre texto e voz "Domínios do Demasiado" de Fabi Borges

Face Sonora e Maquiagem Musical

BASE
Que minhas palavras não me maquiem como os belos e grandes automóveis fazem com o tráfego.
Um texto maquia um verso, a memória maquia o devir, a música maquia o som. A pele é o mais profundo abismo sobre o qual lançaríamos os dados de nossas pontes semiônticas. Alô base, responda!
Uma face é um rosto sem rosto.
A interface é o ruído entendido em seu silêncio, assim como a maquiagem é senão uma sujeira aceitável.
Um rosto e seus traços de rostidade (um estilo musical e os movimentos ecléticos que o atravessam) são resistências de um ego social no corpo (através da tensão muscular e tátil), que tornam seus segmentos controlados (ocular e oral) em palcos da auto representação política ao impedirem a fluência dos livres movimento das correntes energéticas dos modos desencouraçados da face (aural e olfativo). Uma desterritorialização do corpo implica uma reterritorializacão no rosto.
Há uma sobrecodificação (metaprogramação neuroimagética) pela hegemonia do utilitarismo da face e do som (iconoclastia hedonista musical, hierarquia das alturas melódicas, narcisismo semântico dos dados impuros). Tal máquina de rostidade (produção social da musicalização e do rosto), efetua uma rostificação de todo o corpo (uma musicalização de toda a escuta), de seus entornos (you are your playlist) e de suas funções. Se o rosto produzido socialmente é uma política, desfazer o rosto também será uma política (se a música produzida socialmente é uma economia, desfazer tal música também será um produto de mercado).
Mas eu hei de maquiar estas palavras com as faces mortas dos ídolos, como se cada nome puxasse nós e os nervos capilares do ouvido mais próximos à garganta.
A síntese granular da música eletroacústica se baseia no delírio quântico atômico, erotismo de areia, filé à milanesa, devir rapé da escuta. Do pó ao só, do grão ao drão, do um ao bum. Cheira o cangote da pessoa ao teu lado. É cheiro de gente ou um casamento químico?
Cada torno da roda das modas, ou as giras das ninfas, por exemplo de Eco a Calypso, são sinos tocando contas de vidro.
Baudrillard fala de três estupros pro nascimento do humano: trabalho, consciência da morte, repressão sexual. O epicentro da artificialidade se põe entre nosso desejo contínuo pela objetificação de nossas subjetividades, Genet come margaridas antes de vender seu corpo de novo, carrega as mortalhas de seus afetos em nome de uma autopoiése mais. Eros ergo Muse.
A prostituição por si só permitiu o enfeite, salientando o valor erótico do humano feito objeto e serviço. Um tal enfeite é, em princípio, contrário ao movimento de negação do enlace sedutivo da mulher que se nega para gerar a caça ao objeto de si por parte do homem. A prostituição de umas determina o esquivar-se de outras...formas de uso do rosto. No princípio a prostituição era só uma outra face do casamento, chamar-se-ia dom ou dote.
Não é de se espantar que os mais antigos traços de civilização sejam a maquiagem funerária e a prostituição. O que se maquila num rosto, mesmo vivo, é seu inevitável cadáver e são os vermes que gostaríamos de realmente seduzir com a mais descarada nudez das vestes.
A estratégia camaleônica de Bowie, em sua dança pelas ondas tendenciais dos nichos da moda, o campo hipermoderno da escuta eclética, tem uma objetificação direta no entrincheiramento urbano do autismo. O rádio(e seus ipods provenientes) é uma tecnologia de guerra assim como a maquiagem rajada alternou do verde vietcongue para o cáqui jogador de golf iraquiano. Mudança similar da do fim da guerra fria, e a mudança do paradigma dos espiões para o dos terroristas, de Mata Hari a Wafa al-Bas. Quando o terrorist-chic virará tendência em Paris? O soldado está para a santa em pedaços no passo do gato como o filósofo para a puta sem clientes.
Banhos de sêmem no topo das pirâmides, já romanas. Quem lamberá as feridas de Orlan? Quem juntará os cacos de Hans Bellmer, Cindy Sherman? É por rosto mercurial, tronco salgado e barbatanas sulfúricas que o canto das sirenes atravessa as eras e as bocadas. É uma emergência, o toque à pele. São memórias futuras calcinando em teus poros as cores que nem teus olhos puderam compreender, algumas fodem e procriam em tua língua, algumas outas, compreensões de cicatrizes. Súbita efêmera sensação da realização da essência do fogo: Epifania.
CORAÇÃO
Tudo que tiveste imensa vontade de dizer e não pudeste expressar em palavras, depois o mostrará tua face.
Elke Maravilha, nada em nuvens de sombras coloridas e constela os céus de luz fria com estrelas de rímel. Pousa na beira de estrada caiada e canta para Novalis que gira a bolcinha com Burroughs... Cantos texturados de mútua sedução compõem a carta que ele tem em mãos, manchada como seus olhos. Fala de um Ulysses que não florecerá, homem de esperas e partidas. Choro de ninfa puta “Eles nunca ficam, eles não compreendem... e vão.”. Mas sempre um sorriso tremulando a espinha avisa a face a desenhar-se novamente ao coro do corpo.
Visage! Berio desnuda Cathy Barberian apenas para vestir suas cordas vocais com seus cálculos, lembrá-la da Enlil animal peludo. Lembremos que Poser é um software de avatares. Assim como o teatro se torna a pátria nula das máscaras de transparências após Godot. E perto destes cantos, Peter Grimmes é pouco mais que Pinóquio, corpo de madeira em cordas... E jamais nos esqueçamos que a própria forma vitruviana do corpo carrega em si sentimentos dos mais profundos, Casanova nos gestos mais sutis de desespero apaixonado ao maquiar as sombrancelhas da amada criatura apenas para poder desenhar-lhe olhos. Criamos uma música para que alguém ouça não apenas a nós, mas como nós.
Desde o pierrô lunar, títere maquilado dos influxos do íntimo até os arlequins solares do glam; é movida a sangue de purpurina e gasolina, a vaidade dos Golem.
No frenesi de maquiar cada encontro imediato no enredamento útil do netflerting, faríamos da alteridade não mas que um espelho de youtube.
Como vocês cozinhariam em um caldeirão de cera, se quando aquecido este também se põe a derreter? E ainda, como haveriam de pintá-lo?
Fez questão de deixar os lábios borrados depois do beijo, dormiria na cozinha suja e queria a nudez plena do descaso de si em mim. No dia seguinte de rosto lavado houvera de recitar Hilda Hilst em inglês enquanto cambaleava pela Liberdade.
SOMBRA
Se a não fossem de fluxos em decantações os corpos e a técnica hefaística quisesse de fato criar a perfeita prisão para as musas, o museu, haveria de mister dispô-lo entre um salão de belezas e uma academia de gimnopédias com mobília musical, como que ria Satie. Todo erigido em carbono, para facilitar a datação de nossas vaidades e luxúrias.
Olhava dentro de meus olhos e ouvia o tremular enquanto dormiu. Algo não foi compartilhado. Some storms are better without shelter. A cor da flor não escorre à chuva.
Ainda haverá um MAT, museu do aroma e do toque. Flores de plástico com borrifadores de aromas sintéticos criarão os âmbitos de nostalgia de certas intoxicações, do chocolate às caixas envernizadas. O hall das fezes históricas, de Beuys a Wharol. Estudiosos farão teses sobre a consistência e o aroma destas baseados nos hábitos declarados e nas imagens de arquivo. Em algum canto talvez haja uma pele para quando já não nos lembrarmos do encontro incondicional.
Beijou meus cílios e apertando a palma da mão contra meu peito, riu alto: mulher! Borrando o seu batom respondi enquanto tocava sua buceta: androgênio...
Se o artista aponta os problemas sociais é só para saber-se também a maquiagem destes. A simpatia da comcunbina para com o eunuco. Nas palavras de Cazuza: “Eu sou burguês, mas sou artista.” Aí vocês suspiram que gostaram ou não da obra e eu pergunto sobra as suas enquanto me retoco para o próximo concerto.
BLUSH
A rostidade está inscrita na linguagem como os estilos musicais inscrevem fronteiras à escuta. Ser babyface implicará a capacidade de representar o papel de barbie-modelo-amante subdominante ouvindo powerpop de girlsbands e emo, talkingface dará conta de uma pessoa crível que poderá jogar como o político-vendedor-informante ouvindo jazz fusion classic rock; scarface nos faz voltar aos guetos e aos submundos mafiosos da vida lôca do lado de lá da ponte do gangsta rap bolero spirituals; fuckingface tem sua tradução direta ao português assim como o pancadão revirou electrochic parisiense. Obra de arte sob ar condicionado e a sexualidade maniqueísta(e aqui cito o gnóstico Manis). Como pode a diferença, ou ainda os trânsitos de sexualidade, fazerem alguma diferenciação ou gestar um transe?
Vocês! Todos vocês se despuzeram a sair de casa e vir ao museu e se prostam com interesse diante nossos sons, mas quantos estariam interessados em nossos aromas e secreções?
Uma das revistas de maior tiragem no Brasil (Caras) segue neste mesmo sentido, um paradigma de rostidade careta indicando sempre os shows de MPB mais badalados e chics. Multiplicação da presença das caras e do rosto em lugares públicos pela propaganda hiperindustrialmodernista (assim como a multiplicação ad infinituum das músicas de fundo). De um lado os visíveis (e audíveis): os novos nobres, os conhecidos VIPs que tem acesso à tela e sobrepassam as fronteiras do jabá e do networking; do outro: os desconhecidos (os olvidados das museas), os ignorados pelos lobbys da imagem e do som. Nos âmbitos artísticos (casta estética) vivemos uma rostidade mais discreta, ainda que não menos influenciada pela maquinaria sociotécnica que atravessa mercantilmente a sociedade (fetichização do entreface), buscando impôr a expressividade codificada (enredamento das impregnações dos modos de escuta e soagem).
Imaginem a crise de aprendizagem do político que logo depois de ser maquiado em sua fisionomia, estudado e treinado durante horas em sua linguagem e em seu discurso, em seu sorriso e em seus gestos, recebe como último conselho de seu assessor de imagem e voz, um momento antes ir ao ar: “Bom agora, por favor, seja completamente natural e espontâneo”.

OCOR com Fagus


imprecindível o uso de fones de ouvido!?
"Queremos o silêncio que insiste que berremos nossas escutas"
Atravessamos a oca com a sensação de que o mesmo movimento que refez a acústica pau-a-pique no baldaquino modernista houvera de implodir o samba no seio de sua estrutura ausente, ritmosmose legada a uma caixa de fósforos que não serão acesos por ausência de fricção. O Sol se punha no dia 05 de Agosto de 2008 quando já não o víamos, mas o ouvíamos, no cerne do museu à fila para o cubo anecóico. Não tenho nada a traduzir e estou criando.
“Vocês têm um minuto” Disse a psicopompa dos corpos enfileirados para o salto no vazio... Com o sub-bufo da dupla porta cerrando o ar caiu. Regência da acusfera, subjetividade suspensa sobre o silêncio. A diletância atirando os corpos de volta às c’almas como coleção de empiremas, partituras de mantras, série tácita dos aurais, fractais harmônicos dos limites n’aguçadez aguda e grave gravidade. Despressurizados os tímpanos, a mandíbula mastiga os nervos da fronte que fazem torcer todos os desenhos dos tendões, as linhas finas se quebram no halo da auréola, reetabelecendo pela implosão a densidade da escuta à sala. Às retinas e às unhas vão as proteínas do açaí. De onde os ventos que movem a copa dos cabelos? Por onde os ossos obedecem os músculos e estes à carne? Como mantivemos tudo a pulsar até hoje? Pela língua?!
De volta à fila percebemos que o gravador zoom ligado durante todo o procedimento só capturara um som, o de seu próprio corpo. Doze rotações por minuto de seu processador que demora 4’33” para carregar o sistema operacional. A idéia de uma composição eletroacústica esbarra em última instância no campo de escuta da própria eletricidade, que jamais silencia. As agulhas do microfone vibram fazendo tremer o aparelho que o contêm e o organismo que o segura a não mais que metro do chão. Como em nós o nerval do estômago reverbera todo o diafragma, nele os limites da placa gestam um biorritmo de silíncio e solda em frenesi mercurial. We’re not the robots! Só engrena gens. Três goles de água de beber, “Vocês têm um minuto?” e compreendo o valor do hábito feito vício... O burburinho externo invade como rumor, a câmara se reduz a útero e a ilusão tácita reverte-se. Já não nos esforçamos para ouvir algo no vão, mas em calar a própria escuta. Ensaio de sondagem, os corpos dançam as articulações dos sons sob os sons(hipoaudio). Escuta do improviso que somos quando temos de ser-nos, composição dos afetos compositores da regência, performance sem obra e intérprete sem musa.
Vocês: um minuto. Hoje quando o Sol nascia, nos reunimos e passamos o som das analogias ao forma ato di-gital de alta qualidade(aiff96Khz) para o computador de Daniel onde aumentamos o volume das três faixas o máximo possível(de maneira linear) e os pusemos lado a lado no falante direito. Depois os enlerdamos em 333% usando um logaritmo Fourier de alta velocidade em similutede para sobrepôr(no volume original) ao falante esquerdo. A composição eletroacústica fala destas conversões analógico-digitais dialéticas (in patho-logic) sobre a captação do corpo ensimesmado dum gravador qualquer como se pudessemos jurar que as palavras nos ouvissem. O meio não é o sujeito sonoro, mas está sujeito ao som sendo sua estratificação última após a breve passagem pela matéria nos corpos. Exercitamos o devir do foco de escuta através da remixagem das faixas de equalização em dois altermovimentos, si e o outro... Ali onde o som implode em ruído e do vácuo faz nascer o ventinho que atormenta Gilberto. A música enquanto retórica de sons e silêncios põe a musicologia no âmbito de uma gramatologia das durações, e a filosonia como pressuposto básico de uma sonística numa vivência reflexiva das intensidades sonoras por seus próprios métodos. Nova noise, para ouvir o furor elétrico da acústica seria necessário saber-se, com e no outro, em contínuo ocor.
Ou como quando Fagundes quis explicar pra dançarina Julia(sua noiva) e pro filósofo Guilherme do Vale sobre o que passamos, preferiu contar que quando a casa de seu avô queimou e este foi perguntado o que guardou do ocorrido sua única resposta: “O fogo”.
"Que não seja eterno porto que é chama, mas enfim nito em quanto lhures"

sublimatio nas caldeiras


na alc
ôva gesta-se fumaça e fuma-se

que é varrida até a chaminé da caldeira energética

fotos por http://www.youtube.com/ultrahaar e http://www.flickr.com/photos/tatoguion

ID e Entidade


Trabalho selecionado para o Festival Dança em Foco com a trilha sonora "Entidade"realizada para o Grupo Oito de Berlim.

Se ruma nu

Ao corpo Daniel Fagundes

sua sacada sêmen-nua e crua
me aterra per-plexo do cóx à ponta-cabeça
que cú, que saco, afinal que porra marrom é essa?
chama carne

és pele
gozo tântalotântrico senriso, há risco

masco limos
senexo do coração da Íbis
saber-se macho caduca pós-trata

saber-se cor pó doutra escuta

mãos aos olhos, púbico!
uma multidão desce as escadas exibindo não suas partes, mas seus todos íntimos

ars, a puta labuta
bosta do ver-me entre o pau-cú

há uma cabeça invisível nos ombros das nádegas
porque houvemos de cagar ideais pelos cabelos

clique aqui e participe

{Primeiro Movimento - Largo para ser lido em 12 minutos}
(onde lê-se o poema do poeta)


já!
na if
a via
pós se
bíles
ties

sê e se e se e se e se e se e se e ou

a rás abre os poros digitais
mas é alho o cheiro que perdura em minhas mãos

{Segundo Movimento - Andante para ser lido em 6 minutos}
(onde o poema se desdobra noutro pelo filósofo como resposta ao amigo poeta distante)


do espelho vazado
que impregnou feito filtro
do que não nos pertence
mas nos é?
de posse e dom
a net uno
cem tau
qual a overmundose poética?
heraclítica eclipséptica
é geo ambífiuo calcanhar

{Terceiro Movimento - Furioso para ser lido em 2 minutos}
(onde o crítico(baltasar graciano) faz a hexegese de ambos os textos verso a verso e mata o poema do poeta como já temia o aforismo do filósofo)


Desde o nome do poema("Sê.") pode-se compreender que a escrita do poeta se dá numa fragmentação típica do simbolismo pós parnasiano, numa citação direta a Fillepo de Éfeso "Sê tu o camartelo de teu bruito" em conexão pop com a obra minimalista de Veloso.
Já no primeiro verso interjectivo vê-se a conectividade hipermidiática do pós (des)estruturalismo. "Sê.Já!" poderia muito bem caber como uma transcriação típica do concretismo do "Da.Sein!" fenomenológico.
No segundo verso podemos vislumbrar a variação linguística típica de autores pós-globais(vide a arquitetura de Buckminster Füller e a pintura de Paul Laffoley) ao mesmo tempo que a feminização da conjunção interrogativa(se=if) emprostadas como o princípio imediato(já) de inocência e ingenuidade(naïf).
Havia a via, ou "no meio da pedra tinha um caminho" como deixou claro o músico e o performer na sua opereta andante "Parang Olé para A CosmoPedra". Não nos esqueçamos que neste momento biográfico da poesia, o poeta estava em chamas exposto à ágora.
No quarto e quinto verso o poema dilata e toma uma densidade dimensional mais fulgurante: se na instantaneidade somos naïf haveria um caminho para além do se na ilusão de possuir-se algo que não às próprias vísceras?
"Ties" clarifica os elos entre duas línguas numa mesma linguagem novamente, amarra gravatas com bíles, as possibilidades todas de uma leitura de existir(Pós-se-bíles-ties).
A conclusão do ego cogitant(sei) leva à escadaria mallarmeana onde a existência jorra(seio) à escolha contínua na problemática mística da cibernética que joga ao abismo a dramóia elizabetana, ser ou... Ou é preciso que o poeta retorne ao seu cotidiano com doçura e perceba que a limpeza de seu lar rasgou-lhe a pele mas o que impregna nos odores são os sabores do que o alimentou.

Já na primeira pergunta feita pelo filósofo podemos perceber um apelo semiótico e psicológico ao poema, através da temática arcadiana do espelho vazado pelo filtro de pixels, de forma a questionar o que se lê do autor de fato e o que nele pomos(vide vaidade em Pascal e Mathias Aires para mais neste assunto).
Deste tocante não poderíamos esperar outro desenvolvimento que não fosse a retomada das raízes do pensamento poético, na figura ambígua do corte ao calcanhar, as asas herméticas e o cochear edípico. A bota é o próprio caminho de Grécia a Roma, de Posseidon(marcho protetor) a Netuno(oceuanus estuprador). Caminho severo dos deuses à praça púbica.
É inegável que o filósofo tenha usado tais imagens de modo a focar "a via naïf" como o próprio cerne de todo clacissismo(luta de classes). Isto é ainda mais óbvio com a citação explícita do poema Ecliplepsepsética da grande Heraclítores de Lesbos:

falo o que te escuto, Adonis
não merecerias outra morte que não o punhal
safo há de queimar-me
e será ódio todos os nossos amores

a mão que excita é a mesmo que te crava
a boca que larga a mesma que te cita
por isto sorri e ri arcadas convulsionadas
destas ancoradas espaldas

...

Perdeu-se o resto do poema desta pensadora da linha mais antiga das pitonisas gnósticas, linha da sabedoria nem ocidental nem oriental que religa a Abraã, Moiséa(ou Musea), Madalena, Teresa(vide Simon Magus) até chegar em Krishva(a amante abandonada de Sidartha que obteve sua iluminação através da criação da masturbação tântrica). Isto traz à tona a impossibilidade de identificação com qualquer pressuposto quenão a androgenia, mesmo no tocante à identidade.
Tau é uma letra cabalística que poderia ser traduzida na máxima de Novalis "Atingir o intelecto através dos sentidos"... e sendo em número 100(ou sem ou sê m[masculino mulher]) nos relembra que não há poesia experimental sem uma vida experimental, e que a experiência se põe sempre no limíte de um mundo(modo de via) na sua overdose.

{Quarto Movimento - Presto em Sol Menor}
(onde as com ementas máscaras compuradores do coro comem tais dores)


EXU TRANCA RUA:belíssimo poste!
marco com meu mijo
buceta pau rijo foste
belas imagens, quase fotos
vá lá dá-me teu voto

EXU SETE PORTAS:ano de eleição poesilítica
apodreçamos nos parnasos
que não reste refúgio nem ao virtual

IEMANJÁ:doçura te abandona
por temer os laços de metal
mas é sal a pele suada
e o beijo do cansaço

OXUMARÉ:mariposa,
é preciso que depois de tudo termos conseguido
seja por mérito, esforço ou amor
que atiremos ao fogo

OXALUFÃ:come pipoca pra bíles, zifí!

{Quinto Movimento - Alegro Maestoso em Sol Maior}
(onde os leitores-comentadores de fato criam a obra)
sobre a obra
Uma opereta cibernética. Para a trilha sonora favor ouvir os sons da máquina computadora(sem mp3s ou wavs). É pra ouvir o silêncio do quarto e o computador em funcionamento mesmo...

Lady MacLaura



haveria de ser síncope, palco
luzes! ... luzes! ... apaguem-se!
estas marcas, mãos minhas...
desfeitas cores das tuzes
do que cresce de mim
vaticínio em morte ancoradas
...
assina a sorte do nome
carregado feito útero seco
depassado
sôcumbe inébria
fílias e pélegas
por quais domínios morfetizada
nossa mascará

hás de morrer velhice
nesta búsqueda de viver
... juventude
fiz, mas só...
...
ai! o que não pude
tu, de entoar rasgou-se ao canto
e emparedaste natura incólume
da dúvida, barro e brio
da tua adega enluarada
viduvial escárnio do crânio do poeta
talha acalanto ádaga
o destino arrematado
lumnescência deste acto
par forma per fídias
incandemnia essentia
logla ero aíí... eón
heroé! deslacionados os prantos
de cada duplo por em mim
estirados marco
pois esticadas rugas
lisuras os meus rasgos

Existe Alguma Possibilidade Est-Ética que Não Acene ao Totalitarismo?



performance de Daniel Fagundes da qual participamos

...e a ética se mostra como possibilidade apenas ao acontecer do encontroutro! a ética habita o nada-abissal entre /eu/ e /tu/.
palavras proferidas por à escritura no décimosexto dia do mês de julho após sair de dentro de um fusca onde se deusencontravam outras nove pessoas nuas. *
Na vitrinasca soutita sublimne corpo palavra nã á verá ponha seu ego sobe mim a que melhor vistam meus sensos chama quadra em nonas vou que és vagem quando devoro teus suores e nomeio teus poros pêlo amor lua cheia, lusca fusa nu há e cru à senda vertigem dos passos: em nós foz do trêmulo não tratariam retrovisores por espelhos os fractos de kaleido escorressem aos seios sob os pés cos ossos como peito aberto e pernas torturas de joelhos arteados e labirintos arcados no toque

A Vila e Os Lobos





primeiro movimento: a vila
1 padre não consegue dormir, 1 padeiro põe a massa na fornalha, 3 filósofos se reúnem, 9 pedreiros, 2 eletricistas, 4 mecânicos, 6 poetas líricos, 2 poetas malditos sendo 1 laureado, 13 ascetas, 7 heremitas, 12 crianças, 11 cozinheiros, 5 legisladores, 78 trabalhadores braçais, 8 escultores, 1 xamã, 14 músicos, 17 músicos procuram por 1 compositor, 15 burocratas, 16 policiais mas nenhum bandido, 2 pai de santos, 19 roçeiros trancaram suas portas e as marcaram com sangue de novilho, 10 viúvas, 18 jovens perdidos na noite que se silencia, 1 mãe consola seus 2 bebês que choram, 21 mendigos fogem rumo ao norte, 3 mulheres excluídas arrastam 1 compositor(Ernesto) e cozinham sua carne sob a lua.

segundo movimento: os lobos
os lobos cercam a vila
os lobos estraçalharam a vila
um a um e todos
restando somenta as crianças
... quando nasce o dia,
a loba mais velha vêm e amamenta-os

é lá

"The more opera is dead, the more it flourishes." - SLAVOJ ZIZEK, Opera's Second Death
às acássias
Um quintal em qualquer época histórica após a invenção da agricultura, dia cinza:
Três mulheres sentadas debaixo de uma bananeira no Domingo de Santa Joana observam sete homens tocando após haverem todos comido. A uma criança brinca com o cão. As três mulheres então cantam atravessando a música dos sete homens, que não param:

e o ou
se com
por pra fôr
de em
quandonde
como antes
sem até quanto
a quem
e há a
e há e
e há o
a traz

de pois se
e vem
o que
a quem
com de na
sem ó mas
tãoinho
gem

A uma criança lambe o cão e se põe a rir. A música cessa.
"No good opera plot can be sensible, for people do not sing when they are feeling sensible." - W.H. AUDEN

Nanotanatologia


a Vera Sala
vibra sacrosso
à fina os tendões
símile dum verme
refleconvectido na lama
copro em manação
coma!
shiver it out spectentacles
diga natureza metálica
da roda morta a engranar
que te estira e fôrma
podrilume à ribalta conjugada
com cegos
olhos famintos
de cór vozes ausentes
não ausentar-se-á o controle
após o delirante grande gozo do signo de si
ensinam as tensões sobre a forca
dirão justa a vitória da beleza
cadavérica à impermanência mundi
e serteá inflicta a mazela póstuma
buscando manter-se vida em seus retiros
haverá de estuprar Tânathos com teu pau de história
e fugir pela ágora arrastando as mortalhas potenciais
duma dança pendurada na clausura do nojo de ser-se
por querermos apequenar a morte
a uma missa de corpo presente