FORMULÁRIO DE PEDIDO DE VISTO / VISA APPLICATION FORM

RESIDÊNCIA
RELESPÚBICA
FODERATIVA DO PAU BRASIL

DADOS PESSOAIS
PERSONAL INFORMATION

PROTOCOLO Nº 112358-13-21
01 - NOME COMPLETO
FIRST/MIDDLE/FAMILY NAME
Fiódor Kepler Paracelsus Stelaudi
02 - NASCIDO EM (cidade/estado/país)
PLACE OF BIRTH (city/state/country)
Kýnesis/Flüxus/Sirius
03 - DATA DE NASCIMENTO(dia/mês/ano)
DATE OF BIRTH (day/month/year)
10.02.1968 segundo o calendário da Era Comum
04 - NACIONALIDADE
NATIONALITY
Gitano Espectral / Nomad Alien
05 - SEXO
SEX
Andrógino / Androgenious
06 - ESTADO CIVIL
MARITAL STATUS
Pânfago Abandonado / Tännhauser Lohëngrinn
07 - DOCUMENTO DE VIAGEM
PASSPORT OR TRAVEL DOCUMENT
Exame de Sangue / Library Card
08 - PAÍS EXPEDIDOR
ISSUING COUNTRY
Macondo, Pérsia
09 - EXPIRAÇÃO (dia/mês/ano)
EXPIRATION DATE (d/m/y)
Vide A Nau do Tempo Rei / Check Dorian Gray Iggy Opium
10 - NOME DOS PAIS
PARENT´S NAME
do pai/father’s: William Burroughs (a.k.a. Ziggy Stardust)
da mãe/mother’s: Elke Maravilha (a.k.a. Sta. Sarah Kali)
11 - ENDEREÇO RESIDENCIAL
HOME ADDRESS
Corpo Sem Órgão, 25 / Organless Body, 25
12 - TELEFONE Nº
TELEPHONE Nº
Telepathia
13 - PROFISSÃO
PROFESSION
Philósono / Audiomancer
14 - ENDEREÇO PROFISSIONAL
BUSINESS ADDRESS
Órgão Sem Corpo, 22 / Bodyless Organ, 22
15 - TELEFONE Nº
TELEPHONE Nº
Teleologia
16 - EMPREGADOR
EMPLOYER
ITS OM

FAVOR PREENCHER À MÁQUINA OU EM LETRA DE FORMA. RESPONDER AOS ITENS 1 A 30
E ASSINAR. OS FORMULÁRIOS INCOMPLETOS NÃO SERÃO CONSIDERADOS.
PLEASE TYPE OR PRINT. ANSWER ITEMS 1 THROUGH 30 AND SIGN. INCOMPLETE FORMS
WILL NOT BE CONSIDERED.


PARA USO OFICIAL
FOR OFFICIAL USE ONLY
A - Sapatos Nº.44
B - Figurino Nº.40
C - Tipo do Visto Ouvisto
D - X Concessão 0 Denegação 0 Prorrogação
E - Entradas 0 Uma X Múltiplas
F - Prazo de Estada 24/7 horas/dias
G - Data19/11/2008 dia mês ano
H - Observações Have been already in Cage with Satie when they were just litlle Bueys.
I - Assinaturas Funcionário Chefia

DADOS PESSOAIS
PERSONAL INFORMATION (CONT.)
17 - OBJETIVO DA PARTICIPAÇÃO
PURPOSE OF PARTICIPATION :
The messanger is the message.
18 - VOCÊ ACREDITA EM DEUS OU EM DARWIN? PORQUE ?
YOU BELIEVE IN GOD OR IN DARWIN? WHY?
Não acredito em Deus, mas ele credita em mim um amor terrivelmente imenso pelo qual já o perdoei. Por adaptação, o bico fractal de meu carnário canto não foi feito para a flor linear de Darwin. É o canto que cria o bico e não a fome, do mesmo modo que é a luz que cria o olho e não a penumbra.
19 - QUAIS SEUS HABITOS NOTURNOS?
WHAT ARE YOUR NIGHT HABITS?
Ritos para o vácuo universal. Orgias energéticas enérgicas. Pesquisas autobioquímicas. Danças no lusco-fusco. Prostituição semiótica. Flanar seguindo aromas. Orquestração constelar de dinâmicas do toque, delicadezabrupta sinestética. Foder acorirís. Ouver como os insetos criam crop-circles com sons.
20 – FALA ALGUMA LINGUA ESTRANGEIRA?
QUAL(IS)? SPEAK ANOTHER LANGUAGE? WHICH ONE(S)?
Conlang, Röumani, Sânscrito, Java, Ornotologia(Linguagem dos Pássaros), Ultrafreqüência LFO(Golfinhos e insetos) http://wiki.frath.net/Category:Conlangs
21 – UM LIVRO:
A BOOK:
O Almagesto de Zoroastro
22 – UMA MÚSICA:
A SONG:
Moya Tsiganskaja, clássico cigano na voz de Vladimir Vissotsky. http://www.youtube.com/watch?v=Vj3pd-a-js8 / A song: John Lennon’s Mind Games.http://www.youtube.com/watch?v=8dHUfy_YBps
23 - UM LINK DO YOUTUBE:
A YOUTUBE LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=FAnSKN9s7eY
24 - UM DRINK:
A DRINK:
Absinto de Dijon
25 – UM FILME:
A MOVIE:
Conspiradores do Prazer de Jan Svankmajer
26 – VOCÊ É INSCRITO EM ALGUMA COOPERATIVA? POSSUI NOTA FISCAL?
ARE YOU A MEMBER OF A COOPERATIVE? CAN YOU INVOICE?
Não em clubes nos quais sou aceito, mas se descola nota quando necessário.
27 - JÁ ESTEVE EM OUTROS PAISES?
HAVE YOU EVER BEEN IN ANOTHER COUNTRY?
Paraguai, Bolívia, Peru, Uruguai, Minas Gerais, Argentina, Chile, Cuba, USA, Inglaterra, Irlanda, Escócia, Espanha, Portugal, Wonderland, Itália, Alemanha, França, Saturno, Bélgica, Dinamarca, Suécia, República Checa, Transilvânia, Romênia, Grécia, Turquia, Capadócia, Irã, Lua, Sirius, Alcyone, Porto Rico...
28 – SUA BIOGRAFIA:
YOUR BIOGRAPHY:
Quando o pó estelar entrou nas narinas e olvidos de meu pai, ele deixou o Neubauten em que morava na Detroit devastada pelos autoimóveis e seguiu ao deserto da Capadócia onde Cassandra lhe disse da mulher que incorporava Santa Sarah Kali numa estrela de Alfa-Centauri, encontrou em Éfeso um portal até lá, ao encontrá-la ela o chamou Anônimo, fizeram amor com água sem sal do mar vivo nos lábios e houveram tempestades por nove meses que tornaram mangue Saarah e caranguejo os escorpiões. Nasci num campo sonoro de Sirius sob forte presença da lua cheia de Aquário (com o meio do Céu em Ourifídio), quarta-feira-de-cinzas fui arrancado por três viganas que entoavam ao mesmo tempo meu nascimento e o desaparecimento de minha mãe e pai. Despertei na Amazônia. Por maldição de Plutão em Libra não cruzei os rios do esquecimento, e ainda lembro de minhas origens e errâncias estelares onde lentamente fiz laços com a matéria e a carne. As três velhas me iniciaram nas suas artes enquanto rejuvenesciam nas perambulações pela selva: Carmen Blavatski da culinária de toques e a impregnação dos poros à terra, Hilst Salomé da fianda sinestésica dos ventos solares e Woolf Lispector da caça a caçadores. Quando enfim completei 7 anos, elas aparentavam 14 e me iniciaram no dilúvio dos desejos sexuais e nas danças do fogo em Kundalini por suas concupiscências. Depois sumiram. Peregrinei pelos planaltos onde descobri o nojo à humanidade em doze subtrabalhos para me desprender de minhas megalomanias astrais: entreguei pizzas com Dylan nas zonas latifundiárias sem jamais atrasar, vendi cartões de dívidas na caatinga para um conselheiro de Dante, limpei banheiros públicos no maracanã em dia da final da copa e arrumei seus encanamentos ouvindo o som através da parede com uma concha, engraxei botas e saltos altos na praça dos três poderes e fui manicure dos índios do xingu, passeei os lobos de uma bruxa heterofóbica filha do vampiro Sade que se apaixonou pela mulher que também sou, fui office boy de Joseph K no Inverno que antecedeu a Primavera de Praga, maquiei cadáveres com dentes de diamante that Moles Füller digged e lírios na bocada do Bodelér, serrei sete alqueires de árvores com as unhas de Mojica que deixei com Poe e vendi a um marceneiro de Belém chamado Yéshua, servi de digitador para o livro de areia de Borges e vi escorrerem anos a fios dos cálculos de Böhr aos Cantos de Pound, virei cão de aluguel e vi os cadáveres de Macunaíma e Macabéia com carinho de amante, cozinhei meu próprio corpo para os canibais modernistas que depois cagaram-nas e Raul as recolou em mim, por fim me isolei numa alcôva nas Minas Gerais e ouvi Hermes desde o Sol do Sol, que me ensinou todas as dobras da luz na cor e no som, e me indicou que tomasse o peso de minha tarefa aural, só então soube de meu pai Som e mãe Música. Me apaixonei pela cigana Diana passando pelo labirinto Cabala de Javé, ela me abandonou e foi buscar sua virgindade de volta. Vim então para São Paulo dos Coríntios, onde passei a ouvir e soar no fogo lento do trabalho com a dupla hélice das musas, que andam comigo e em mim até que consiga, talvez com uma banda de rock fazer barulho o bastante para ressuscitar o rio Tietê onde serei enterrado e voltarei a ser som e luz.


TERMO DE RESPONSABILIDADE
FORMAL STATEMENT
29 - DECLARO SEREM VERDADEIRAS E COMPLETAS AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NO PRESENTE DOCUMENTO.
I DECLARE THAT THE ABOVE INFORMATION IS TRUE AND ACCURATE.
NOME /NAME DATA /DATE ASSINATURA /SIGNATURE
Fiódor Kepler Paracelsus Stelaudi Dia Day19 MêsMonth11 AnoYear2008 FkpS
30 – TEM CERTEZA? /ARE YOU SURE?
TAMBÉM / ALL SO

Face Sonora e Maquiagem Musical

BASE
Que minhas palavras não me maquiem como os belos e grandes automóveis fazem com o tráfego.
Um texto maquia um verso, a memória maquia o devir, a música maquia o som. A pele é o mais profundo abismo sobre o qual lançaríamos os dados de nossas pontes semiônticas. Alô base, responda!
Uma face é um rosto sem rosto.
A interface é o ruído entendido em seu silêncio, assim como a maquiagem é senão uma sujeira aceitável.
Um rosto e seus traços de rostidade (um estilo musical e os movimentos ecléticos que o atravessam) são resistências de um ego social no corpo (através da tensão muscular e tátil), que tornam seus segmentos controlados (ocular e oral) em palcos da auto representação política ao impedirem a fluência dos livres movimento das correntes energéticas dos modos desencouraçados da face (aural e olfativo). Uma desterritorialização do corpo implica uma reterritorializacão no rosto.
Há uma sobrecodificação (metaprogramação neuroimagética) pela hegemonia do utilitarismo da face e do som (iconoclastia hedonista musical, hierarquia das alturas melódicas, narcisismo semântico dos dados impuros). Tal máquina de rostidade (produção social da musicalização e do rosto), efetua uma rostificação de todo o corpo (uma musicalização de toda a escuta), de seus entornos (you are your playlist) e de suas funções. Se o rosto produzido socialmente é uma política, desfazer o rosto também será uma política (se a música produzida socialmente é uma economia, desfazer tal música também será um produto de mercado).
Mas eu hei de maquiar estas palavras com as faces mortas dos ídolos, como se cada nome puxasse nós e os nervos capilares do ouvido mais próximos à garganta.
PÓ
A síntese granular da música eletroacústica se baseia no delírio quântico atômico, erotismo de areia, filé à milanesa, devir rapé da escuta. Do pó ao só, do grão ao drão, do um ao bum. Cheira o cangote da pessoa ao teu lado. É cheiro de gente ou um casamento químico?
Cada torno da roda das modas, ou as giras das ninfas, por exemplo de Eco a Calypso, são sinos tocando contas de vidro.
Baudrillard fala de três estupros pro nascimento do humano: trabalho, consciência da morte, repressão sexual. O epicentro da artificialidade se põe entre nosso desejo contínuo pela objetificação de nossas subjetividades, Genet come margaridas antes de vender seu corpo de novo, carrega as mortalhas de seus afetos em nome de uma autopoiése mais. Eros ergo Muse.
A prostituição por si só permitiu o enfeite, salientando o valor erótico do humano feito objeto e serviço. Um tal enfeite é, em princípio, contrário ao movimento de negação do enlace sedutivo da mulher que se nega para gerar a caça ao objeto de si por parte do homem. A prostituição de umas determina o esquivar-se de outras...formas de uso do rosto. No princípio a prostituição era só uma outra face do casamento, chamar-se-ia dom ou dote.
Não é de se espantar que os mais antigos traços de civilização sejam a maquiagem funerária e a prostituição. O que se maquila num rosto, mesmo vivo, é seu inevitável cadáver e são os vermes que gostaríamos de realmente seduzir com a mais descarada nudez das vestes.
A estratégia camaleônica de Bowie, em sua dança pelas ondas tendenciais dos nichos da moda, o campo hipermoderno da escuta eclética, tem uma objetificação direta no entrincheiramento urbano do autismo. O rádio(e seus ipods provenientes) é uma tecnologia de guerra assim como a maquiagem rajada alternou do verde vietcongue para o cáqui jogador de golf iraquiano. Mudança similar da do fim da guerra fria, e a mudança do paradigma dos espiões para o dos terroristas, de Mata Hari a Wafa al-Bas. Quando o terrorist-chic virará tendência em Paris? O soldado está para a santa em pedaços no passo do gato como o filósofo para a puta sem clientes.
Banhos de sêmem no topo das pirâmides, já romanas. Quem lamberá as feridas de Orlan? Quem juntará os cacos de Hans Bellmer, Cindy Sherman? É por rosto mercurial, tronco salgado e barbatanas sulfúricas que o canto das sirenes atravessa as eras e as bocadas. É uma emergência, o toque à pele. São memórias futuras calcinando em teus poros as cores que nem teus olhos puderam compreender, algumas fodem e procriam em tua língua, algumas outas, compreensões de cicatrizes. Súbita efêmera sensação da realização da essência do fogo: Epifania.
CORAÇÃO
Tudo que tiveste imensa vontade de dizer e não pudeste expressar em palavras, depois o mostrará tua face.
Elke Maravilha, nada em nuvens de sombras coloridas e constela os céus de luz fria com estrelas de rímel. Pousa na beira de estrada caiada e canta para Novalis que gira a bolcinha com Burroughs... Cantos texturados de mútua sedução compõem a carta que ele tem em mãos, manchada como seus olhos. Fala de um Ulysses que não florecerá, homem de esperas e partidas. Choro de ninfa puta “Eles nunca ficam, eles não compreendem... e vão.”. Mas sempre um sorriso tremulando a espinha avisa a face a desenhar-se novamente ao coro do corpo.
Visage! Berio desnuda Cathy Barberian apenas para vestir suas cordas vocais com seus cálculos, lembrá-la da Enlil animal peludo. Lembremos que Poser é um software de avatares. Assim como o teatro se torna a pátria nula das máscaras de transparências após Godot. E perto destes cantos, Peter Grimmes é pouco mais que Pinóquio, corpo de madeira em cordas... E jamais nos esqueçamos que a própria forma vitruviana do corpo carrega em si sentimentos dos mais profundos, Casanova nos gestos mais sutis de desespero apaixonado ao maquiar as sombrancelhas da amada criatura apenas para poder desenhar-lhe olhos. Criamos uma música para que alguém ouça não apenas a nós, mas como nós.
Desde o pierrô lunar, títere maquilado dos influxos do íntimo até os arlequins solares do glam; é movida a sangue de purpurina e gasolina, a vaidade dos Golem.
No frenesi de maquiar cada encontro imediato no enredamento útil do netflerting, faríamos da alteridade não mas que um espelho de youtube.
Como vocês cozinhariam em um caldeirão de cera, se quando aquecido este também se põe a derreter? E ainda, como haveriam de pintá-lo?
Fez questão de deixar os lábios borrados depois do beijo, dormiria na cozinha suja e queria a nudez plena do descaso de si em mim. No dia seguinte de rosto lavado houvera de recitar Hilda Hilst em inglês enquanto cambaleava pela Liberdade.
SOMBRA
Se a não fossem de fluxos em decantações os corpos e a técnica hefaística quisesse de fato criar a perfeita prisão para as musas, o museu, haveria de mister dispô-lo entre um salão de belezas e uma academia de gimnopédias com mobília musical, como que ria Satie. Todo erigido em carbono, para facilitar a datação de nossas vaidades e luxúrias.
Olhava dentro de meus olhos e ouvia o tremular enquanto dormiu. Algo não foi compartilhado. Some storms are better without shelter. A cor da flor não escorre à chuva.
Ainda haverá um MAT, museu do aroma e do toque. Flores de plástico com borrifadores de aromas sintéticos criarão os âmbitos de nostalgia de certas intoxicações, do chocolate às caixas envernizadas. O hall das fezes históricas, de Beuys a Wharol. Estudiosos farão teses sobre a consistência e o aroma destas baseados nos hábitos declarados e nas imagens de arquivo. Em algum canto talvez haja uma pele para quando já não nos lembrarmos do encontro incondicional.
Beijou meus cílios e apertando a palma da mão contra meu peito, riu alto: mulher! Borrando o seu batom respondi enquanto tocava sua buceta: androgênio...
Se o artista aponta os problemas sociais é só para saber-se também a maquiagem destes. A simpatia da comcunbina para com o eunuco. Nas palavras de Cazuza: “Eu sou burguês, mas sou artista.” Aí vocês suspiram que gostaram ou não da obra e eu pergunto sobra as suas enquanto me retoco para o próximo concerto.
BLUSH
A rostidade está inscrita na linguagem como os estilos musicais inscrevem fronteiras à escuta. Ser babyface implicará a capacidade de representar o papel de barbie-modelo-amante subdominante ouvindo powerpop de girlsbands e emo, talkingface dará conta de uma pessoa crível que poderá jogar como o político-vendedor-informante ouvindo jazz fusion classic rock; scarface nos faz voltar aos guetos e aos submundos mafiosos da vida lôca do lado de lá da ponte do gangsta rap bolero spirituals; fuckingface tem sua tradução direta ao português assim como o pancadão revirou electrochic parisiense. Obra de arte sob ar condicionado e a sexualidade maniqueísta(e aqui cito o gnóstico Manis). Como pode a diferença, ou ainda os trânsitos de sexualidade, fazerem alguma diferenciação ou gestar um transe?
Vocês! Todos vocês se despuzeram a sair de casa e vir ao museu e se prostam com interesse diante nossos sons, mas quantos estariam interessados em nossos aromas e secreções?
Uma das revistas de maior tiragem no Brasil (Caras) segue neste mesmo sentido, um paradigma de rostidade careta indicando sempre os shows de MPB mais badalados e chics. Multiplicação da presença das caras e do rosto em lugares públicos pela propaganda hiperindustrialmodernista (assim como a multiplicação ad infinituum das músicas de fundo). De um lado os visíveis (e audíveis): os novos nobres, os conhecidos VIPs que tem acesso à tela e sobrepassam as fronteiras do jabá e do networking; do outro: os desconhecidos (os olvidados das museas), os ignorados pelos lobbys da imagem e do som. Nos âmbitos artísticos (casta estética) vivemos uma rostidade mais discreta, ainda que não menos influenciada pela maquinaria sociotécnica que atravessa mercantilmente a sociedade (fetichização do entreface), buscando impôr a expressividade codificada (enredamento das impregnações dos modos de escuta e soagem).
Imaginem a crise de aprendizagem do político que logo depois de ser maquiado em sua fisionomia, estudado e treinado durante horas em sua linguagem e em seu discurso, em seu sorriso e em seus gestos, recebe como último conselho de seu assessor de imagem e voz, um momento antes ir ao ar: “Bom agora, por favor, seja completamente natural e espontâneo”.

a via ou a via

há um inverno em cada vôo
página em branco, papel moeda
deixaram de ser selvagens
condensaram-se em seiva selva

de esperas

"Fortunated those who look at the myst instead of fearing its infinity" Simon Magus

há um olho em cada janela
com cílios Dionaea muscipula
abre aos vinte e noves graus
o raio do raio

a cera, a vela acaba antes
dos ventos a
a vela

em cada bússula coração
pelos devaneios dos imãs
atravessando mar gnético
os peixes sob
revivem a mar cinética e seu naufrágio, ó tédio
buscam pontos de gravidade
onde erigiriam as pontes à terceira margem oceânica

gestadan
have you seen the skeletons, the sinking ships of forsaken loves?
you begin to wonder if the stories that tell all the rites
aren't point directly straight at you

arde peito para que expanda o cor alenmar
marinheiro quando se quis só viu as manchas de vô mito, à proa
onde se acreditou nau amarrou-se ao mastro e surdo pulsa
cantaria: não se sabe se é sal água ou água o sal, este mar, lágrimas de sereias

assolar


"Desolar é pior do que aniquilar, assolar é mais radical do que destruir."
Emmanuel Carneiro Leão no Avesso da Máquina

com Fagus no violão e trompete...

3x4

Série de retratinhos 3x4 para imprimir e gestar um problema identitário genial. Usei-as na instalação do :doispontos na mostra CorpoInstalação no SESC Pompéia.
[clique aqui e baixe o pdf]

FRNZKFK080908

Video instalação para o festival Tsonami composto de dois vídeos de loops dessincronizados que compõem uma videópera quadrafônica.

acorirís

um erro de transcodificação de um mar 3d(enviado por Haar) do h264 pra mpg2.
pixelado fogo fez-se cor cristal luzente
um segundo movimento "largo" pode ser mixado somando este outro som ao vídeo: